Pois é...Acordei as 04,30 hrs, já tomei café, e resolvi vir, depois de um longo tempo, neste espaço onde andei postando algumas reportagens interessantes catadas na rede...ainda estou vivo e cá estou novamente...kkk...Por hora não tenho nada que mereça colocar aqui... a comédia da vida continua... ainda que com algumas tragédias.
política - comportamentos sociais - esporte - futebol - xadrez - jazz - bossa-nova - samba - internet - livros-
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domingo, 31 de julho de 2016
VOLTANDO AO BLOG
31/07/16
Pois é, tanta coisa aconteceu neste quase um ano que não postei nada!...Politicamente o país continua o caos de sempre desde que foi iniciada a "Operação Lavajato" do MPF. ....kkkk...
Agora só se fala do desemprego que grassa na área..uns falam em 6 milhões, outros em 8 milhões e tem os que falam em 12 milhões de desempregados. Um terrorismo psíquico em cima da base piramidal, o povão.
O impeachment da presidente Dilma, afastada, é dado como certo pela mídia nativa e o presidente interino Michel Temer já é tido como sucessor efetivo, para glória da direita brasileira.
Agora, só se fala das Olimpíadas no Rio de Janeiro que começa daqui há 4 dias. As delegações de mais de uma centena de países continuam a chegar nos aeroportos cariocas.
Os escândalos continuam a aparecer, mas com menor destaque.
E "vamo que vamo'....kkkkkkkkkkk... tem alguns que são hilários:
"Policial de São Paulo deslocado para ajudar na segurança das Olimpíadas é assaltado no Rio"...kkkkkkkkkk
E o segurança do Parque Olímpico que foi pego em flagrante colocando a mão no meio das pernas de uma bombeira que estava descansando...kkkkkkkkkkkkkk
http://olimpiadas.uol.com.br/noticias/redacao/2016/07/31/seguranca-do-parque-olimpico-e-preso-em-fragrante-por-estupro.htm
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quinta-feira, 15 de outubro de 2015
500 empresas devem R$ 392 bilhões à União; mineradora Vale lidera o ranking
500 empresas devem R$ 392 bilhões à União; mineradora Vale lidera o ranking
http://www.brasildefato.com.br/node/33203
17% do montante das dívidas equivalem aos R$ 66 bilhões da meta do ajuste fiscal deste ano.
15/10/2015
Por Márcio Zonta e José Coutinho Júnior,
Da Redação
| Foto: Agência Brasil |
O Ministério da Fazenda divulgou uma lista com as 500 empresas que mais devem à União. Juntas, as dívidas somadas chegam a mais de R$ 392 bilhões. Caso 17% desse valor voltasse aos cofres públicos de uma vez, já alcançaria os R$ 66 bilhões da meta do ajuste fiscal deste ano, que vem cortando investimentos de diversas áreas sociais, como saúde e educação. Além disso, o rombo nas contas públicas de 2014, que é de R$ 32,5 bilhões, também poderia ser compensado com parte do montante das dívidas.
A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) informou, por meio de nota, que a divulgação da lista faz parte da gestão do ministro da Fazenda Joaquim Levy de “promover um incremento da recuperação de créditos inscritos em Dívida Ativa da União, na busca pela justiça fiscal", e que "o objetivo é dar a máxima transparência aos dados da Dívida Ativa da União”.
Achilles Frias, procurador da Fazenda e presidente do Sindicato Nacional dos Procuradores da Fazenda (Sinprofaz), afirma que a quantidade de dívida de todas as pessoas jurídicas para com a União ultrapassa a casa do R$1,5 trilhão. “Temos 3,5 milhões de devedores grandes. Desses, 18 mil respondem por 2/3 de toda dívida, e desses, as 500 empresas divulgadas respondem por 40%”.
Além de ações judiciais que visam travar a cobrança das dívidas, o procurador denuncia que muitas empresas declaram as dívidas para não cometerem ilícitos, mas não pagam, esperando para utilizar o Programa de Recuperação Fiscal (Refis), que alivia multas, juros e outros encargos. “As empresas preferem não pagar para fazer o parcelamento mais tarde. É melhor que pegar dinheiro no banco, e elas usam dinheiro da União, que deveria ir para programas sociais, para pagar suas dívidas”.
Segundo Achilles, um impasse para que essas dívidas sejam cobradas é que a Procuradoria está sucateada. “A Procuradoria é o único órgão que pode fazer as cobranças dessa dívida, mas não se confere estrutura para isso. Para cada procurador, há 0,7 servidores, então o procurador, além do trabalho jurídico, tem o trabalho burocrático de localizar devedor, procurar bens. O sistema de dados também está ultrapassado. Se o governo investisse na Procuradoria, e ela fosse atrás desses 18 mil devedores, o ajuste fiscal, que está penalizando a economia e o cidadão, seria desnecessário. E é a cobrança dos grandes, de quem deve”.
Primeiro lugar
A mineradora Vale é a maior devedora, com R$ 41,9 bilhões em dívidas. Desta quantia, o pagamento de R$ 32,8 bilhões está suspenso por decisões judiciais. A empresa deve cerca de R$ 17 bilhões a mais do que a segunda devedora da lista, a empresa Carital Brasil LTDA, antiga Parmalat, com R$ 24,9 bilhões de dívidas.
Apesar de dever para a União, a Vale recebe investimentos estatais para continuar operando no país. Estudo da Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional (Fase) aponta que, para minerar na Amazônia, a Vale obteve 70% do valor de R$ 506,96 milhões que foi distribuído para as mineradoras que atuam na Amazônia, via Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), entre 2007 e 2012. Esse montante foi injetado na mineração altamente lucrativa do ferro e cobre nas minas de Carajás.
Segundo o governo do Pará, por consequência da Lei Kandir, criada em 1996 pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso, a Vale está isenta de pagar tributos às operações relativas à circulação de mercadorias e serviços (ICMS). Isso já subtraiu dos cofres públicos do estado R$ 25 bilhões.
De acordo com o Centro de Educação, Pesquisa e Assessoria Sindical e Popular (Cepasp), os acionistas da empresa em diversas partes do mundo embolsaram US$ 4,5 bilhões, no ano de 2013. A mineradora ainda aprovou uma segunda parcela de US$ 1,74 bilhão, chamada de remuneração mínima, ao mesmo grupo, paga no fim de 2013, além de um valor adicional de US$ 500 milhões.
“O Estado brasileiro deveria tomar uma atitude mais contundente para com os devedores do próprio Estado, começando pela Vale, ao cobrar a dívida através das ações que a mineradora distribui”, afirma Jarbas Vieira, do Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM).
Bancos
Entre os que receberam essas quantias da Vale, está a JP Morgan Chase & Company. O Banco J.P. Morgan S.A. figura na lista de devedores da fazenda em 79º lugar, com dívida de R$ 841 milhões.
Os bancos, setor que tem lucrado muito este ano, mesmo com a crise econômica, também registram dívidas na Receita. Bradesco, Santander e Itaú juntos somam R$ 7,900 bilhões em dívidas.
O lucro do Bradesco no primeiro semestre de 2015 foi acima de R$ 8,7 bilhões; sua dívida com a Receita é a sétima maior da lista, em mais de R$ 4,8 bilhões. Somado com a dívida de R$ 408 milhões da filial Bradesco Financiamentos S.A., em 222º lugar na lista, o banco deve um total de R$ 5,279 bilhões.
O Itaú, por sua vez, teve lucro de R$ 11,7 bilhões, e deve, por conta da Itaucard S.A., braço responsável pela emissão e administração de cartões de crédito, a 44ª maior dívida na lista; R$ 1,35 bilhão.
Já o Santander, que teve lucro de R$ 3,3 bilhões, tem duas dívidas, a do Banco Santander Brasil S.A. está em 69º lugar, com R$ 978 bilhões, e a da Santander Leasing S.A, que é a 353ª maior, com R$ 288 milhões, que totalizam R$ 1,266 bilhão em dívidas.
Confira a lista das 10 empresas mais devedoras (em bilhões)
1 - Vale: R$ 41,9
2 - Carital Brasil Ltda: R$ 24,9
3 - Petrobras: R$ 15,6
4 - Industrias de Papel R Ramenzoni S/A: R$ 9,7
5 - Duagro Adm e Participações: R$ 6,5
6 - Viação Aérea São Paulo (Vasp): 6,2
7 - Banco Bradesco: 4,8
8 - Varig: 4,6
9 - American Virginia Ind e Comércio Exp. De Tabacos Ltda: 4,1
10 - Condor Factoring Fomento Comercial: 4,1
segunda-feira, 5 de outubro de 2015
terça-feira, 29 de setembro de 2015
ÍNTEGRA DO DISCURSO DA PRESIDENTE DILMA NA ONU - 2015
28/09/15
Senhoras e Senhores:
É um privilégio poder dirigir-me à Assembleia-Geral neste
ano em que as Nações Unidas celebram seu septuagésimo aniversário.
Minhas primeiras palavras, senhor presidente, são de
congratulações por sua escolha para presidir esta Assembleia Geral.
Reitero, em especial, o apoio do Brasil à sua disposição de
adotar medidas que fortalecem a agenda de desenvolvimento da organização.
Setenta anos são passados da Conferência de São Francisco.
Buscou-se, naquela ocasião, construir um mundo fundado no Direito Internacional
e na busca de soluções pacíficas para os conflitos. Desde então, tivemos
avanços e recuos. O processo de descolonização apresentou notável evolução,
como se pode constatar contemplando a composição desta Assembleia.
A ONU ampliou suas iniciativas incorporando a Agenda 2030 e
os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, ou seja, as questões relativas ao
meio ambiente, ao fim da pobreza, ao desenvolvimento social e econômico e ao
acesso a serviços de qualidade.
Temas como os desafios urbanos, a questão de gênero, das
mulheres e das meninas, as questões de raça, ganharam prioridade. Não conseguiu
o mesmo êxito ao tratar da segurança coletiva, questão que esteve na origem da
Organização e no centro de suas preocupações.
A multiplicação de conflitos regionais – alguns com alto
potencial destrutivo –, assim como a expansão do terrorismo que mata homens,
mulheres e crianças, que destrói patrimônio da humanidade, que expulsa de suas
comunidades seculares milhões de pessoas, mostram que a ONU está diante de um
grande desafio.
Não se pode ter complacência com tais atos de barbárie, como
aqueles perpetrados pelo chamado Estado Islâmico e por outros grupos
associados. Esse quadro explica, em boa medida, a crise dos refugiados pela
qual passa atualmente a humanidade.
Grande parte dos homens, mulheres e crianças que se
aventuram nas águas do Mediterrâneo e erram penosamente nas estradas da Europa
provêm do Oriente Médio e Norte da África, onde países tiveram seus Estados
nacionais desestruturados por ações militares ao arrepio do Direito
Internacional, abrindo espaço para a proliferação do terrorismo.
A profunda indignação provocada pela foto de um menino sírio
morto nas praias da Turquia e pela notícia sobre as 71 pessoas asfixiadas em um
caminhão na Áustria deve se transformar em ações inequívocas de solidariedade
prática. Em um mundo onde circulam, livremente, mercadorias, capitais,
informações e ideias, é absurdo impedir o livre trânsito de pessoas.
O Brasil é um país de acolhimento, um país formado por refugiados.
Recebemos sírios, haitianos, homens e mulheres de todo o mundo, assim como
abrigamos, há mais de um século, milhões de europeus, árabes e asiáticos.
Estamos abertos, de braços abertos para receber refugiados. Somos um país
multiétnico, que convive com as diferenças e sabe a importância delas para nos
tornar mais fortes, mais ricos, mais diversos, tanto cultural, quanto social e
economicamente.
Senhor presidente:
Esse inquietante pano de fundo nos impõe uma reflexão sobre
o futuro das Nações Unidas e nos exige agir concreta e rapidamente.
Necessitamos uma ONU capaz de fomentar uma paz sustentável no plano
internacional e de atuar com presteza e eficácia em situações de guerra, de
crise regional localizada e de quaisquer atos contra a humanidade.
Não se pode postergar, por exemplo, a criação de um Estado
Palestino que conviva pacífica e harmonicamente com Israel. Da mesma forma, não
é tolerável a expansão de assentamentos nos territórios ocupados.
Para dar às Nações Unidas a centralidade que lhe corresponde,
é fundamental uma reforma abrangente de suas estruturas. Seu Conselho de
Segurança necessita ampliar seus membros permanentes e não permanentes para
tornar-se mais representativo, mais legítimo e eficaz. A maioria dos
Estados-membros não quer que uma decisão a esse respeito possa ser eternamente
adiada.
Temos a esperança de que a reunião que hoje se inicia entre
para a história como o ponto de inflexão na trajetória das Nações Unidas. Que
traga resultados concretos no longo e, até agora, inconcluso processo de
reforma da Organização.
Nossa região – onde impera a paz e a democracia – se
regozija com o estabelecimento de relações diplomáticas entre Cuba e os Estados
Unidos, que põe fim a um contencioso derivado da Guerra Fria. Esperamos que
esse processo venha a completar-se com o fim do embargo que pesa sobre Cuba.
Celebramos, igualmente, o recente acordo logrado com o Irã,
que permitirá a esse país desenvolver a energia nuclear para fins pacíficos e
devolver a esperança de paz para toda uma região.
No âmbito do Brics, lançamos um Novo Banco de
Desenvolvimento, que ajudará na ampliação do comércio e dos investimentos e,
possivelmente, na consecução dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável.
Senhor presidente,
A Agenda 2030 desenha o futuro que queremos. Os 17 Objetivos
do Desenvolvimento Sustentável reafirmam o preceito da Rio+20, que é afirmar
que é possível crescer, incluir, conservar e proteger. Estabelecem metas
universais, evidenciam a necessidade de cooperação entre os povos e um caminho
comum para a humanidade.
Esta Agenda exige solidariedade global, determinação de cada
um de nós e compromisso com o enfrentamento da mudança do clima, com a
superação da pobreza e da miséria e a construção de oportunidade para todos.
Em Paris, em dezembro próximo, devemos fortalecer a
Convenção do Clima com pleno cumprimento de seus preceitos e respeito a seus
princípios. As obrigações que assumirmos devem ser ambiciosas – inclusive no
que se refere a apoios financeiros e tecnológicos aos países em desenvolvimento
e às pequenas ilhas –, em sintonia com o princípio das responsabilidades
comuns, porém diferenciadas.
O Brasil está fazendo grande esforço para reduzir as
emissões de gases de efeito estufa sem comprometer seu desenvolvimento, nosso
desenvolvimento. Continuamos diversificando as fontes renováveis em nossa
matriz energética, que está entre as mais limpas do mundo. Estamos investindo
na agricultura de baixo carbono. Reduzimos em 82% o desmatamento na grande
floresta amazônica.
A ambição continuará a pautar nossas ações. Por isso,
anunciei ontem, aqui na ONU, nossa INDC [ - Pretendida Contribuição
Nacionalmente Determinada, na sigla em inglês - ]. Será de 43% a contribuição
do Brasil para a redução das emissões de gases de efeito estufa até 2030, com
base em 2005. Neste período, o Brasil pretende o fim do desmatamento ilegal; o
reflorestamento de 12 milhões de hectares; a recuperação de 15 milhões de
hectares de pastagens degradadas; a integração de 5 milhões de hectares de
lavoura, pecuária e florestas.
Em um mundo em que a participação das fontes renováveis de
energia é de apenas 13%, em média, da matriz energética, pretendemos garantir o
percentual de 45% de fontes renováveis na nossa matriz energética. Vamos buscar
a participação de 66% da fonte hídrica na geração de eletricidade; a
participação de 23% das fontes renováveis – eólica, solar e biomassa – na
geração de energia elétrica; o aumento de cerca de 10% na eficiência
energética; e a participação de 16% de etanol carburante e das demais biomassas
derivadas da cana-de-açúcar no total da matriz energética. O Brasil contribui,
assim, para que o mundo possa atender às recomendações do Painel de Mudança do
Clima, que estabelece o limite de dois graus Celsius de aumento de temperatura
neste século.
Somos um dos poucos países em desenvolvimento a assumir meta
absoluta de redução de emissões. Nossa INDC inclui ainda ações que aumentam a
resiliência do meio ambiente e reduzem os riscos associados aos efeitos
negativos da mudança do clima sobre as populações mais pobres, mais
vulneráveis, com atenção para as questões de gênero, do direito dos trabalhadores,
das comunidades indígenas, ou quilombolas/negras e tradicionais. Reconhecemos a
importância da cooperação Sul-Sul no esforço global de combater a mudança do
clima.
Enfatizo que, desde 2003, políticas sociais e de
transferência de renda contribuíram para que mais de 36 milhões de brasileiros
superassem a pobreza extrema. O Brasil saiu, no ano passado, do Mapa Mundial da
Fome. Isso evidencia a eficácia de nossa política, chamada Fome Zero, que agora
se transforma no Objetivo de Desenvolvimento Sustentável número 2.
Na transição para uma economia de baixo carbono,
consideramos importante assegurar condições dignas e justas para o mundo do
trabalho. O desenvolvimento sustentável exige a promoção do trabalho decente, a
geração de empregos de qualidade e a garantia de oportunidades. O esforço para
superar a pobreza e promover o desenvolvimento tem de ser coletivo e global. Em
meu País, no entanto, sabemos que o fim da pobreza extrema é só um começo de
uma longa trajetória de novas conquistas.
Senhor presidente,
Por seis anos, buscamos evitar que os efeitos da crise
mundial que eclodiu em 2008 no mundo desenvolvido, se abatessem sobre nossa
economia e nossa sociedade. Por seis anos, adotamos um amplo conjunto de
medidas reduzindo imposto, ampliando crédito, reforçando o investimento e o
consumo das famílias. Aumentamos os empregos, aumentamos a renda nesse período.
Esse esforço chegou agora no limite, tanto por razões
fiscais internas como por aquelas relacionadas ao quadro externo. A lenta
recuperação da economia mundial e o fim do superciclo das commodities incidiram
negativamente sobre nosso crescimento. A desvalorização cambial e as pressões
recessivas produziram inflação e forte queda da arrecadação, levando a
restrições nas contas públicas. O Brasil, no entanto, não tem problemas
estruturais graves, nossos problemas são conjunturais. E, diante dessa
situação, estamos reequilibrando o nosso orçamento e assumimos uma forte
redução de nossas despesas, do gasto de custeio e até de parte do investimento.
Realinhamos preços, estamos aprovando medidas de redução permanente de gastos.
Enfim, propusemos cortes drásticos de despesas e redefinimos nossas receitas.
Todas essas iniciativas visam reorganizar o quadro fiscal,
reduzir a inflação, consolidar a estabilidade macroeconômica, aumentar a
confiança na economia e garantir a retomada do crescimento com distribuição de
renda.
Hoje, a economia brasileira é mais forte, sólida e
resiliente do que há alguns anos atrás. Temos condições de superar as
dificuldades atuais e avançar na trilha do desenvolvimento.
Estamos num momento de transição para um novo ciclo de
expansão mais profundo, mais sólido e mais duradouro. Além das ações de
reequilíbrio fiscal e financeiro, de estímulo às exportações, também adotamos
medidas de incentivo ao investimento em infraestrutura e energia.
No Brasil, o processo de inclusão social não foi
interrompido. Esperamos, que o controle da inflação, a retomada do crescimento
e do crédito contribuirão para uma maior expansão do consumo das famílias.
Essas são as bases para este novo ciclo de crescimento e
desenvolvimento, baseado no aumento da produtividade e na geração de mais
oportunidades de investimento para empresas e de empregos para os cidadãos.
Senhoras e senhores,
Os avanços que logramos nos últimos anos foram obtidos em um
ambiente de consolidação e de aprofundamento da nossa democracia.
Graças à plena vigência da legalidade e ao vigor das
instituições democráticas, o funcionamento do Estado tem sido escrutinado de
forma firme e imparcial pelos poderes e organismos públicos encarregados de
fiscalizar, investigar e punir desvios e crimes.
O governo e a sociedade brasileiros não toleram e não
tolerarão a corrupção.
A democracia brasileira se fortalece quando a autoridade
assume o limite da lei como o seu próprio limite.
Nós, os brasileiros, queremos um país em que a lei seja o
limite. Muitos de nós lutamos por isso justamente quando as leis e os direitos
foram vilipendiados durante a ditadura.
Queremos um País em que os governantes se comportem
rigorosamente segundo suas atribuições, sem ceder a excessos. Em que os juízes
julguem com liberdade e imparcialidade, sem pressões de qualquer natureza e
desligados de paixões político-partidárias, jamais transigindo com a presunção
da inocência de quaisquer cidadãos.
Queremos um País em que o confronto de ideias se dê em um
ambiente de civilidade e respeito. Queremos um País em que a liberdade de
imprensa seja um dos fundamentos do direito de opinião. E a manifestação de
posições diversas, direito de cada um dos brasileiros.
As sanções da lei devem recair sobre todos os que praticam e
praticaram atos ilícitos, respeitados o princípio do contraditório e da ampla
defesa. Essas são as bases de nossa democracia e valho-me de recente
manifestação de meu amigo José Mujica, ex-presidente uruguaio, que disse:
“Esta democracia não é perfeita porque nós não somos
perfeitos. Mas temos que defendê-la para melhorá-la, não para sepultá-la”.
Que fique consignado que o Brasil continuará trilhando o
caminho democrático e não abrirá mão das conquistas pelas quais tanto lutamos.
Senhoras e senhores,
Quero valer-me desta ocasião para reiterar que o Brasil
espera, de braços abertos, os cidadãos de todo o mundo para a realização dos
Jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2016 no Rio de Janeiro.
Essa será oportunidade única para difundir o esporte como
instrumento fundamental de promoção da paz, da inclusão social, da tolerância,
por meio da luta contra a discriminação racial, étnica e de gênero.
Será também ocasião para que possamos promover a inclusão de
pessoas com deficiência, uma das prioridades de meu governo.
Uma última palavra. Há poucos dias, foram reinaugurados aqui
na sede das Nações Unidas os murais chamados Guerra e Paz, do artista brasileiro
Cândido Portinari, doados à ONU pelo governo do meu País, em 1957.
A obra denuncia a violência e a miséria e exorta os povos a
buscar o entendimento. É um símbolo para as Nações Unidas quanto à sua
responsabilidade de evitar os conflitos armados e de promover a paz, a justiça
social e a superação da fome e da pobreza.
Portinari sempre afirmou que, cito: “Não há nenhuma grande
arte que não esteja identificada com as pessoas”.
A mensagem dos murais permanece atual. Alude tanto às
vítimas das guerras como aos refugiados que arriscam suas vidas em precários
barcos e a todos os anônimos que buscam na ONU proteção, paz e bem-estar.
Esperamos que, ao ingressar neste recinto das Nações Unidas
e ao olhar esses murais em sua entrada, sejamos capazes de escutar a voz dos
povos que representamos e de trabalhar com afinco para que seus anseios de paz
e progresso venham a ser atendidos. Afinal, foram esses os ideais que
estiveram, 70 anos atrás, presentes no ato fundacional dessa grande conquista
da humanidade que é a Organização das Nações Unidas.
Muito obrigada, senhor presidente.
Muito obrigada a todos.
ÍNTEGRA DO DISCURSO DE OBAMA NA 70ª REUNIÃO DA ONU - 2015
28/09/15
"Senhor presidente, senhor secretário-geral, colegas
delegados, senhoras e senhores. Passados 70 anos da fundação das Nações Unidas,
vale refletir sobre aquilo que, juntos, os membros desta organização ajudaram a
realizar.
Das cinzas da Segunda Guerra Mundial, tendo testemunhado o poder
impensável da era atômica, os Estados Unidos trabalharam com muitas das nações
da Assembleia para prevenir uma terceira guerra mundial, criando alianças com
antigos adversários; apoiando o desenvolvimento de democracias fortes e que
prestassem contas aos seus cidadãos, e não a potências estrangeiras; e
construindo um sistema internacional que impusesse custo àqueles que
escolhessem o conflito de preferência à cooperação -em uma ordem que
reconhecesse a dignidade e o trabalho iguais de todos os povos.
Esse é o trabalho de sete décadas. Esses são os ideais que
este órgão, em seus melhores momentos, buscou. É claro que houve ocasiões
demais em que, coletivamente, ficamos aquém desses ideais. Ao longo de sete
décadas, conflitos terríveis causaram número incontável de vítimas, mas
seguimos adiante, aos poucos mas firmemente, para criar um sistema de regras e
normas internacionais melhores, mais fortes e mais coerentes.
É essa ordem internacional não escrita que subscreveu os
avanços sem paralelos na liberdade e prosperidade humana. É essa empreitada
coletiva que trouxe cooperação diplomática entre as grandes potências do
planeta e deu sustentação a uma economia globalizada que tirou mais de um
bilhão de pessoas da pobreza.
Foram esses princípios internacionais que ajudaram a impedir
que países maiores impusessem sua vontade aos menores, e que levaram adiante a
ascensão da democracia, e o desenvolvimento, e a liberdade, em todos os
continentes.
Esse progresso é real. Ele pode ser documentado pelas vidas
salvas, pelos acordos conquistados, pelas bocas que receberam alimento.
E no entanto estamos aqui reunidos hoje sabendo que os
marcos do progresso humano jamais avançam em linha reta, que nosso trabalho
está longe de completo, que existem perigosas correntes capazes de nos arrastar
a um mundo mais sombrio e desordenado.
Hoje, vemos o colapso de homens fortes e Estados frágeis
gerando conflitos, e conduzindo homens, mulheres e crianças a atravessar
fronteiras em escala épica. Redes brutais de terror ocuparam o vácuo.
Tecnologias que aumentam as capacidades dos seres humanos agora também são
exploradas por aqueles que espalham a desinformação, suprimem a dissensão ou
radicalizam os nossos jovens.
Os fluxos mundiais de capitais impulsionaram o crescimento e
o investimento, mas também aumentaram o risco de contágio, enfraquecendo o
poder de barganha dos trabalhadores e acelerando a desigualdade.
Como deveríamos responder a essas tendências? Há aqueles que
argumentam que os ideais encapsulados na Carta das Nações Unidas são
inatingíveis, ou obsoletos -um legado da era do pós-guerra, e incompatíveis com
a nossa. Efetivamente, essas pessoas argumentam por um retorno às regras que se
aplicavam durante a maior parte da história humana, e precedem esta
instituição- a crença em que o poder é um jogo no qual, para que alguém ganhe,
alguém precisa perder; em que a força vale mais que o direito; em que os
Estados poderosos devem impor sua vontade aos mais fracos; em que os direitos
dos indivíduos não importam. E em que, num período de rápida mudança, a ordem
deve ser imposta pela força.
Tendo isso por base, vemos algumas grandes potências se
afirmando de maneiras que contradizem as regras internacionais. Vemos uma
erosão dos princípios democráticos e dos direitos humanos que são fundamentais
à missão desta instituição. A informação é rigorosamente controlada, o espaço
da sociedade civil, restrito. Dizem-nos que essa reacomodação é necessária para
resistir à desordem, que é a única maneira de derrotar o terrorismo, ou
prevenir interferência externa. De acordo com essa lógica, deveríamos apoiar
tiranos como Bashar al-Assad, que bombardeia crianças inocentes, porque a
alternativa certamente seria pior.
Esse crescente ceticismo quanto à nossa ordem internacional também
pode ser encontrado nas mais avançadas democracias. Vemos polarização maior,
impasses mais frequentes, movimentos na extrema direita, e às vezes na
esquerda, que insistem em interromper o comércio que unifica nossos destinos
aos de outras nações, apelando pela construção de muros que impeçam a entrada
de imigrantes.
O mais ameaçador é que vemos os medos das pessoas comuns
explorados por meio de apelos ao sectarismo, tribalismo, racismo ou
antissemitismo, apelos a um passado glorioso no qual nosso organismo político
ainda não havia sido infectado por pessoas de aparência diferente, ou que
cultuem a Deus de maneira diferente.
Os Estados Unidos não estão imunes a isso. Ainda que nossa
economia esteja crescendo e que nossos soldados tenham em geral retornado do
Iraque e Afeganistão, vemos em nossos debates sobre o papel dos Estados Unidos
no planeta uma ideia de força definida pela oposição a velhos inimigos e novos
adversários percebidos, a uma China ascendente ou Rússia ressurreta, um Irã
revolucionário ou islã incompatível com a paz. Vemos repetido o argumento de
que a única força que importa para os Estados Unidos são palavras belicosas e
demonstrações de poderio militar. Que cooperação e diplomacia não funcionam.
Como presidente dos Estados Unidos, estou ciente dos perigos
que enfrentamos. Eles chegam à minha mesa a cada manhã. Lidero as forças
armadas mais poderosas que o mundo já conheceu, e jamais hesitarei em proteger
meu país e nossos aliados, unilateralmente e pela força, quando necessário. Mas
hoje falo a vocês trazendo a convicção profunda de que nós, como nações do
mundo, não podemos retornar aos velhos modos de conflito e coerção.
Não podemos olhar para trás. Vivemos em um mundo integrado,
no qual todos temos interesse no sucesso mútuo. Não podemos dar as costas a
essas forças de integração.
Nenhum país nesta Assembleia tem como se isolar contra a
ameaça do terrorismo ou o risco de contágio financeiro, o fluxo de migrantes ou
o perigo do aquecimento global. A desordem que vemos não é propelida apenas
pela competição entre as nações ou qualquer ideologia isolada e, se não
conseguirmos trabalhar juntos de modo mais efetivo, todos sofreremos as
consequências. Isso se aplica igualmente aos Estados Unidos. Não importa o
quanto nossas forças armadas sejam poderosas, o quanto seja forte a nossa
economia, compreendemos que os Estados Unidos não são capazes de resolver
sozinhos os problemas do mundo.
No Iraque, os Estados Unidos aprenderam a dura lição de que
mesmo centenas de milhares de soldados valentes e efetivos, e trilhões de
dólares de nosso Tesouro, não bastam para impor estabilidade em uma terra
estrangeira. A menos que trabalhemos com outras nações sob o manto das normas e
princípios internacionais, e de leis que ofereçam legitimidade aos nossos esforços,
não teremos sucesso. E a menos que trabalhemos juntos para derrotar as ideias
que propelem as diferentes comunidades de um país como o Iraque a um conflito,
qualquer ordem que nossos soldados consigam impor será temporária.
E da mesma forma que a força não basta para impor a ordem
internacionalmente, tenho a profunda convicção de que repressão não criará a
coesão social de que uma nação necessita para o sucesso. A história das duas
últimas décadas prova que as ditaduras do mundo atual são instáveis. Os homens
fortes de hoje podem se tornar a centelha das revoluções do amanhã. Você pode
aprisionar seus oponentes mas não há como aprisionar ideias. Pode-se tentar
controlar a informação, mas não se pode transformar mentiras em verdades.
Não é uma conspiração de ONGs apoiadas pelos Estados Unidos
que expõe a corrupção e desperta as esperanças dos povos de todo o mundo; é a
tecnologia, a mídia social, e o desejo irredutível de todos os povos de
escolherem por sua conta a forma pela qual serão governados. De fato, acredito
que no mundo atual, o que mede a força não é mais o território controlado. A
prosperidade duradoura não vem apenas da capacidade de acessar e extrair
matérias-primas. A força das nações depende do sucesso de seus povos, de seu
conhecimento, sua inovação, sua imaginação, sua criatividade, seu esforço, suas
oportunidades, o que por sua vez depende de direitos individuais e boa
governança, e da segurança pessoal.
A repressão interna e a agressão externa são ambas sintomas
do fracasso em prover essas fundações. A política e a solidariedade criada pela
dependência quanto a demonizar os outros, que atrai o sectarismo nada
religioso, o tribalismo ou o patriotismo de vitrine, pode às vezes parecer uma
força, momentaneamente, mas com o tempo sua fraqueza será exposta. E a História
nos diz que as forças sombrias desencadeadas por esse tipo de política
certamente nos tornam todos menos seguros.
Nosso mundo já passou por isso. Nada ganhamos por voltar no
tempo. Em lugar disso, acredito que devamos ir adiante na busca de nossos
ideais, sem abandoná-los nesse momento crítico.
Devemos dar expressão às nossas melhores esperanças, não aos
nossos mais profundos medos. Esta instituição foi fundada porque os homens e
mulheres que nos antecederam foram previdentes e sabiam que nossas nações estão
mais seguras quando aderimos a leis básicas, normas básicas, e buscamos
cooperação acima do conflito. E as nações fortes, mais que todas, têm a
responsabilidade de sustentar essa ordem internacional.
Permitam-me oferecer um exemplo concreto.
Ao assumir a Presidência, deixei claro que uma das
principais realizações desta Assembleia, o regime de não proliferação nuclear,
deveria ser engajado pela violação iraniana ao Tratado de Não Proliferação
Nuclear; com base nisso, o Conselho de Segurança apertou as sanções contra o
governo iraniano e muitas nações se uniram a nós em sua imposição. Juntos,
demonstramos que leis e acordos significam alguma coisa, mas também
compreendíamos que o objetivo das sanções não era simplesmente punir o Irã. O
objetivo era testar se o Irã estaria disposto a mudar de rumo, aceitar
restrições, e permitir que o mundo verificasse que seu programa nuclear será
pacífico.
Por dois anos, os Estados Unidos e nossos parceiros,
incluindo a Rússia, incluindo a China, mantiveram a união em meio a complexas
negociações. O resultado é um acordo duradouro e abrangente que impede o Irã de
obter uma arma nuclear, mas permite seu acesso à energia pacífica; se esse
acordo for plenamente implementado, a proibição a armas nucleares sairá
reforçada, uma potencial guerra terá sido evitada e o nosso mundo estará mais
seguro.
Essa é a força do sistema internacional quando ele trabalha
da maneira que deveria. A mesma fidelidade à ordem internacional orienta nossas
respostas a outros desafios em todo o mundo. Considerem a anexação da Crimeia
pela Rússia, e as demais agressões no leste da Ucrânia. Os Estados Unidos têm
poucos interesses econômicos na Ucrânia. Reconhecemos a história complexa e
profunda entre Rússia e Ucrânia, mas não podemos nos colocar de lado quando a
soberania e integridade territorial de uma nação são flagrantemente violadas.
Se isso acontecer sem consequências na Ucrânia, poderia
acontecer a qualquer das nações hoje aqui reunidas. Essa é a base das sanções
que os Estados Unidos e nossos parceiros impuseram à Rússia. Não se trata de um
desejo de voltar à guerra fria.
É evidente que, dentro da Rússia, a mídia controlada pelo
Estado pode descrever esses eventos como exemplo de um país ressurreto. Visão
compartilhada, de certa maneira, por diversos políticos e comentaristas
norte-americanos que sempre foram profundamente céticos quanto à Rússia e
parecem convencidos de que uma nova guerra fria, de fato, já começou. No
entanto, vejam os resultados. O povo ucraniano está cada vez mais interessado
em se alinhar à Europa, em lugar da Rússia. As sanções causaram fuga de
capitais. Uma economia em contração, o rublo em queda, a emigração de maior
número de russos com bom nível educacional.
Imagine se, em lugar disso, a Rússia se tivesse se engajado
em diplomacia real e trabalhado com a Ucrânia e a comunidade internacional para
garantir que seus interesses estejam bem protegidos. Isso teria sido melhor
para a Ucrânia mas também para a Rússia, e melhor para o mundo, o que explica
por que continuamos a pressionar para que essa crise seja resolvida de maneira
que permita que uma Ucrânia soberana e democrática determine seu destino e
controle seu território. Não porque desejamos isolar a Rússia -não desejamos-,
mas porque queremos uma Rússia forte e investida em trabalhar conosco para
reforçar o sistema internacional como um todo.
De forma semelhante, no mar do Sul da China, os Estados
Unidos não têm reivindicações territoriais. Não adjudicamos quaisquer reivindicações,
mas como todas as nações aqui reunidas temos o interesse em sustentar os
princípios básicos de liberdade de navegação e livre fluxo de comércio.
Assim, defenderemos esses princípios e encorajaremos a China
e outros queixosos a que resolvam suas diferenças pacificamente.
E o digo sabendo que a diplomacia é difícil. Que os
desfechos são algumas vezes insatisfatórios. Que ela é raramente popular em
termos políticos. Mas acredito que os líderes das grandes nações,
especialmente, têm a obrigação de assumir esses riscos, precisamente porque
somos fortes o bastante para proteger nossos interesses, se e quando a
diplomacia falhar.
Também acredito que para avançar nessa nova era, tenhamos de
ser fortes o bastante para reconhecer que aquilo que se estava fazendo não
funciona. Por 50 anos, os Estados Unidos mantiveram quanto a Cuba uma política
que em nada melhorou a vida do povo cubano. Nós a mudamos. Continuaremos a ter
diferenças para com o governo cubano, continuaremos a defender os direitos
humanos, mas trataremos essas questões por meio de relações diplomáticas e da
expansão do comércio. E de relações entre os dois povos.
À medida que esses contatos produzam avanços, estou
confiante em que o nosso Congresso inevitavelmente abolirá um embargo que já
não deveria mais estar em vigor.
A mudança não chegará a Cuba do dia para a noite, mas estou
confiante em que abertura, não coerção, servirá melhor como apoio às reformas e
para melhorar a vida do povo cubano. Da mesma forma que acredito que Cuba encontrará
o sucesso se ampliar sua cooperação com outras nações.
Bem, se interessa às grandes potências sustentar os padrões
internacionais, isso se aplica ainda mais aos demais integrantes da comunidade
de nações. Vejam o que acontece em todo o mundo. De Cingapura à Colômbia,
passando pelo Senegal, os fatos demonstram que nações encontram o sucesso
quando buscam paz e prosperidade inclusivas dentro de suas fronteiras, e
cooperação com os demais países, para além delas.
Um caminho como esse está aberto agora a uma nação como o
Irã, que até o momento continua a utilizar prepostos violentos para promover
seus interesses. Esses esforços podem parecer propiciar ao Irã influência em
suas disputas com os vizinhos, mas alimentam conflitos sectários que colocam
toda a região em risco, e isolam o Irã da promessa de comércio e intercâmbio.
O povo iraniano tem uma história de orgulho e está repleto
de extraordinário potencial. Mas gritar "morte à América" não cria
empregos nem torna o Irã mais seguro.
Se o Irã optar por um caminho diferente, será melhor para a
segurança da região, bom para o povo iraniano e bom para o mundo.
É claro que, em todo o mundo, continuaremos a ser
confrontados por nações que rejeitam essas lições da história, lugares nos
quais conflitos civis, disputas de fronteira e guerras sectárias produzem
enclaves terroristas e desastres humanitários. Onde a ordem tenha sofrido
completa dissolução, devemos agir. Mas seremos mais fortes caso o façamos
juntos.
Em esforços como esses, os Estados Unidos sempre farão sua
parte. E o faremos cientes das lições do passado. Não só as lições do Iraque
mas também o exemplo da Líbia, onde participamos de uma coalizão internacional
sob mandato da ONU a fim de impedir o morticínio. Embora tenhamos ajudado o
povo líbio a pôr fim ao reino de um tirano, nossa coalizão poderia e deveria
ter feito mais para preencher o vazio deixado. Somos gratos às Nações Unidas
por seus esforços para criar um governo de união. Ajudaremos qualquer governo
legítimo da Líbia em seu trabalho de unir o país. Mas também precisamos
reconhecer que é necessário trabalhar mais efetivamente no futuro, como
comunidade internacional, a fim de capacitar com mais rapidez os Estados em
crise, e assim evitar que entrem em colapso.
E é por isso que devemos celebrar o fato de que, ainda hoje,
os Estados Unidos se unirão a 50 outros países para oferecer novos recursos,
infantaria, serviços de informações, helicópteros, hospitais e dezenas de
milhares de soldados para reforçar as operações de paz da ONU.
Esses novos recursos podem impedir matanças em massa e
garantir que acordos de paz sejam mais que palavras no papel. Mas temos de
fazê-lo juntos. Juntos precisamos reforçar nossa capacidade coletiva, onde a
ordem se tenha dissolvido, e apoiar os que buscam uma paz justa e duradoura. Em
lugar nenhum nosso compromisso para com a ordem internacional vem sofrendo
teste mais severo do que na Síria. Quando um ditador massacra dezenas de
milhares de seus concidadãos, isso não é uma questão interna. Causa sofrimento humano
de uma ordem de magnitude que afeta a todos.
Da mesma forma, quando um grupo terrorista decapita
prisioneiros, massacra inocentes e escraviza mulheres, não se trata de um
problema de segurança nacional para uma só nação, e sim de uma agressão a toda
a humanidade. Já disse antes e repetirei: não existe espaço para acomodar um
culto apocalíptico como o EI, e os Estados Unidos não pedem desculpas pelo uso
de suas forças armadas como parte de uma ampla coalizão que o está combatendo.
Nós o fazemos com a determinação de garantir que em lugar algum haja porto
seguro para os terroristas que cometem esses crimes. E demonstramos ao longo de
mais de uma década de perseguição incansável à Al Qaeda que os extremistas não
sobreviverão a nós. Mas embora o poder militar seja necessário, não é
suficiente para resolver a situação na Síria. Estabilidade duradoura só surgirá
quando os povos da Síria chegarem a um acordo que permita que vivam juntos
pacificamente. Os Estados Unidos estão preparados para trabalhar com qualquer
nação, incluindo Rússia e Irã, a fim de resolver o conflito. Precisamos
reconhecer que, depois de tanta carnificina, de tanto sangue derramado, não é
possível simplesmente voltar à situação que existia antes da guerra.
Recordemos como isso começou. Assad reagiu a protestos
pacíficos com uma escalada de repressão e matança que, por sua vez, preparou o
terreno para a disputa atual. E assim Assad e seus aliados não podem
simplesmente pacificar a ampla maioria de uma população que foi brutalizada por
armas químicas e bombardeios indiscriminados. Sim, o realismo dita que será
necessário um compromisso para pôr fim aos combates e destruir o EI. Mas o
realismo também requer uma transição que conduza de Assad a um novo líder e
governo inclusivo, que reconheça a necessidade de um fim para o caos, o que
permitiria que o povo sírio comece a reconstrução.
Sabemos que o EI, que emergiu do caos no Iraque e Síria,
depende da guerra perpétua para sobreviver. Mas também sabemos que eles
conseguem adesões devido a uma ideologia venenosa. Assim, parte de nosso
trabalho conjunto é rejeitar esse extremismo que infecta tantos de nossos
jovens.
Parte desse esforço precisa ser a rejeição continuada, pelos
muçulmanos, daqueles que distorcem o islã, para pregar a intolerância e promover
a violência. E precisa também envolver rejeição pelos não muçulmanos da
ignorância que equipara islamismo e terrorismo.
Esse trabalho requer tempo. Não existem respostas fáceis
para a Síria e não existem respostas simples para as mudanças que estão
acontecendo em boa parte do Oriente Médio e África. Mas muitas famílias
precisam de ajuda agora, e não temos mais tempo.
É por isso que os Estados Unidos estão elevando o número de
refugiados que acolheremos em nosso país. É por isso que continuaremos a ser os
maiores doadores de recursos assistenciais a esses refugiados. E hoje estamos
lançando novos esforços para garantir que o nosso povo, nossas empresas, nossas
universidades e nossas ONGs também possam ajudar.
Nos rostos de tantas famílias sofridas, nosso país de
imigrantes vê a si mesmo. É claro que, sob a maneira velha de pensar, o
sofrimento dos despossuídos, o sofrimento dos refugiados, o sofrimento dos
marginalizados, não importa. Eles sempre estiveram na periferia das
preocupações do planeta.
Hoje, nossa preocupação quanto a eles deveria ser propelida
não apenas pela consciência, mas também pelo auto-interesse. Pois ajudar
aqueles que foram colocados à margem de nosso mundo não é só caridade, mas uma
questão de segurança coletiva. E o propósito desta instituição é não só evitar
conflitos, mas galvanizar ação coletiva de forma a tornar melhor a vida neste
planeta.
Os compromissos que assumimos quanto às Metas de
Desenvolvimento Sustentável afirmam essa realidade.
Acredito que o capitalismo foi o maior criador de riqueza e
oportunidades que o mundo já conheceu. Mas, das grandes cidades a pequenas
aldeias rurais em todo o planeta, também sabemos que a prosperidade continua
cruelmente inatingível para muitos.
Como nos lembra Sua Santidade, o Papa Francisco, somos mais
fortes quando conferimos igual valor aos mais humildes de nossos irmãos, e os
vemos como tão dignos quanto nós, nossos filhos, nossas filhas. Podemos reduzir
as doenças passíveis de prevenção e pôr fim ao flagelo do HIV/Aids. Podemos
eliminar pandemias que não respeitam fronteiras. Esse tipo de trabalho talvez
não esteja em destaque na televisão neste exato momento, mas, como demonstramos
ao reverter a difusão do ebola, pode salvar mais vidas do que qualquer outra
coisa que façamos.
Juntos, podemos erradicar a pobreza e eliminar as barreiras
à oportunidade, mas isso requer um compromisso sustentado para com nossos
povos, o que permitiria que os agricultores alimentem mais pessoas, os
empreendedores criem mais empresas sem pagar propinas, os jovens adquiram a
capacitação de que necessitam para o sucesso na moderna economia do
conhecimento.
Podemos promover crescimento por meio de comércio que
respeite padrões mais elevados, e é isso que estamos fazendo na Parceria
Transpacífico, um acordo comercial que abarca quase 40% da economia mundial, um
acordo que abrirá mercados mas protegerá os direitos dos trabalhadores e o meio
ambiente, o que permite desenvolvimento sustentável.
Podemos forçar um recuo da poluição que colocamos em nosso
ar e ajudar economias a tirar pessoas da pobreza sem condenarmos nossos filhos
aos estragos de um clima cada vez mais quente.
A mesma engenhosidade que produziu a era industrial e a era
da computação permite que exploremos o potencial da energia limpa. Nenhum país
poderá escapar aos danos da mudança do clima, e não existe sinal maior de
liderança do que dar precedência às gerações futuras. Os Estados Unidos
trabalharão com todas as nações dispostas a fazer sua parte para que possamos
nos reunir em Paris e enfrentar decididamente esse desafio.
E por fim, nossa visão para o futuro desta Assembleia, minha
crença em continuar avançando, em lugar de recuar, requer que defendamos os
princípios democráticos que permitem que sociedades encontrem o sucesso. Vou
começar por uma premissa simples: catástrofes como a que estamos vendo na Síria
não acontecem em países onde existe genuína democracia e respeito pelos valores
universais que esta instituição deve defender.
[Aplausos]
Reconheço que a democracia tomará formas diferentes em
diferentes partes do planeta. A ideia mesma de um povo que se autogoverne
depende de que o governo permita a expressão de sua cultura singular, sua
história singular, suas experiências singulares. Mas algumas verdades
universais continuam patentes: nenhuma pessoa deveria ser aprisionada por
cultuar pacificamente sua religião. Nenhuma mulher deveria sofrer abusos
impunemente, e nenhuma menina deveria ser impedida de ir à escola.
A liberdade de apelar pacificamente aos que detêm o poder,
sem medo de leis arbitrárias -essas não são ideias para um só país ou cultura,
mas sim ideias fundamentais ao progresso humano. São a pedra fundamental desta
instituição.
Compreendo que, em muitas partes do mundo, a visão seja
diferente, e que exista uma crença em que uma liderança forte não deve tolerar
dissensão. É algo que ouço não só dos adversários dos Estados Unidos mas, em
particular, também de alguns de nossos amigos.
Discordo. Acredito que um governo que reprima a dissidência
pacífica não está mostrando força, mas mostrando fraqueza, mostrando medo. A
história mostra...
A história mostra que regimes que temem seus povos
terminarão por desabar. Mas instituições fortes, construídas com o
consentimento dos governados, perduram depois que qualquer indivíduo se vai. É
por isso que nossos líderes mais fortes, de George Washington a Nelson Mandela,
optaram por construir instituições fortes e democráticas de preferência a
saciarem qualquer sede pelo poder perpétuo.
Líderes que emendam constituições para ficar no poder estão
só reconhecendo que não conseguiram construir um país de sucesso para seu povo,
porque nenhum de nós dura para sempre. Isso nos diz que poder é algo ao que
eles se apegam pelo poder e só, e não para melhorar as vidas daqueles que
afirmam servir.
Compreendo que a democracia é frustrante. A democracia dos
Estados Unidos é certamente imperfeita. Ocasionalmente ela pode ser
disfuncional, até, mas a democracia, a luta constante para ampliar os direitos
de cada vez mais cidadãos, para dar mais voz ao povo, é o que permitiu que nos
tornássemos a nação mais poderosa do mundo.
[Aplausos]
Não é simplesmente uma questão de princípio, não é uma
abstração. A democracia -a democracia inclusiva- torna o país mais forte.
Quando partidos oposicionistas buscam o poder pacificamente nas urnas, um país
pode aproveitar novas ideias. Quando uma mídia livre pode informar o público,
corrupção e abusos são expostos e podem ser erradicados.
Quando uma sociedade civil prospera, comunidades podem
resolver problemas que os governos não necessariamente seriam capazes de
resolver sozinhos. Quando imigrantes são acolhidos, os países se tornam mais
produtivos e mais vibrantes. Quando meninas podem ir à escola e encontrar
empregos, e buscar oportunidades irrestritas, é então que um país realiza seu
pleno potencial.
É isso que acredito ser a maior força dos Estados Unidos.
Nem todo mundo no país concorda comigo, mas essa é a força da democracia.
Acredito que o fato de que se possa caminhar pelas ruas de qualquer cidade, agora
mesmo, e encontrar igrejas, sinagogas, templos e mesquitas espelha a
diversidade do mundo, e você pode encontrar todo mundo, de todo lugar, aqui na
cidade de Nova York.
O fato é que neste país todos podem contribuir, todos podem
participar, não importa quem sejam, que aparência tenham, ou a quem amem -isso
é o que nos torna fortes. E acredito que aquilo que se aplica aos Estados
Unidos seja possível para virtualmente todas as democracias maduras.
Isso não acontece por acaso.
Podemos nos orgulhar de nossas nações sem nos definirmos em
oposição a qualquer outro grupo. Podemos ser patriotas sem demonizar os outros.
Podemos acalentar nossas identidades, religiões, etnias, tradições, sem
menosprezar os outros.
Nossos sistemas têm como premissa a ideia de que o poder
absoluto corrompe. Mas que as pessoas -as pessoas comuns- são fundamentalmente
boas. Que elas dão valor à família e amigos, à fé e à dignidade do trabalho
árduo. E, com os controles e compensações necessários, governos podem refletir
essa bondade.
Acredito que devemos buscar juntos o futuro, que devemos
acreditar na dignidade de cada indivíduo, acreditar que podemos superar nossas
diferenças e optar pela cooperação de preferência ao conflito. Isso não é
fraqueza, mas força.
É uma necessidade prática nesse mundo interconectado. E
nossos povos sabem disso.
Pensem no médico liberiano que foi de casa em casa buscando
casos de ebola e dizendo às famílias o que deveriam fazer caso apresentassem
sintomas. Pensem no comerciante iraniano que, depois do acordo nuclear, disse
que "se Deus quiser agora poderemos oferecer mais produtos a preços
melhores".
Pensem nos norte-americanos que baixaram a bandeira de nossa
embaixada em Havana em 1961, o ano em que nasci, e voltaram para lá algumas
semanas atrás a fim de hasteá-la de novo.
Um desses homens disse, sobre o povo cubano: "Podemos
fazer coisas por eles e eles podem fazer coisas por nós; nós os amamos".
Por 50 anos, ignoramos esse fato.
Pensem nas famílias deixando para trás tudo que conheceram,
arriscando a travessia de desertos inóspitos e águas bravias para buscar
refúgio. Tudo para salvar seus filhos.
Um refugiado sírio, que foi recebido calorosamente e
abrigado em Hamburgo esta semana, disse que "sentimos que ainda existem
pessoas que amam o próximo".
Os povos de nossas Nações Unidas não são tão diferentes
quanto nos dizem. Podem ser obrigados a temer. Podem ser ensinados a odiar. Mas
também podem responder à esperança.
A história está repleta dos detritos de falsos profetas e
impérios decaídos, que acreditavam que a força vale mais que o direito, e que
isso continuaria a ser verdade, com toda certeza.
Mas cabe a nós oferecer um tipo diferente de liderança.
Liderança forte o bastante para reconhecer que nossos países têm interesses comuns,
e as pessoas têm em comum a sua humanidade. E que, sim, existem ideias e
princípios universais. Foi isso que aqueles que deram forma a estas Nações
Unidas 70 anos atrás compreenderam.
Sigamos em frente com fé quanto ao futuro, pois essa é a
única maneira de garantir que o futuro seja mais luminoso, para os meus e os
seus filhos.
Muito obrigado.
DISCURSO NA ÍNTEGRA DE PUTIN NA 70ª REUNIÃO DA ONU - 2015
PUTIN (ATRAVÉS DE INTÉRPRETE):
Sua Excelência o Senhor Presidente, a sua Excelência o
Senhor Secretário-Geral, Senhores Chefes de Estado e de Governo, Senhoras e
Senhores, o 70º aniversário da Organização das Nações Unidas é uma boa ocasião
para fazer um balanço tanto da história e falar sobre o nosso futuro comum.
Em 1945, os países que derrotaram o nazismo uniram seus
esforços para estabelecer bases sólidas para a ordem mundial do pós-guerra.
Mas devo lembrar que as decisões-chave sobre os princípios
orientadores da cooperação entre os Estados, bem como sobre a criação da
Organização das Nações Unidas, foram feitas no nosso país, em Yalta, na reunião
dos líderes da coalizão anti-Hitler.
O sistema de Yalta na verdade nasceu em trabalho de
parto. Ele foi ganha à custa de dezenas de milhões de vidas e duas guerras
mundiais.
Este varreu o planeta no século 20.
Vamos ser justo. Ele ajudou a humanidade por meio
turbulento, em momentos dramáticos, acontecimentos das últimas sete
décadas. Ele salvou o mundo de revoltas em larga escala.
As Nações Unidas é único em sua legitimidade,
representatividade e universalidade. É verdade que ultimamente a ONU tem
sido amplamente criticado por supostamente não ser eficiente o suficiente, e
para o facto de a questões fundamentais sobre a tomada de decisões barracas
devido a diferenças inultrapassáveis, em primeiro lugar, entre os membros do
Conselho de Segurança.
No entanto, eu gostaria de apontar sempre houve diferenças
na ONU durante todos esses 70 anos de existência. O direito de veto foi
sempre exercida pelos Estados Unidos, o Reino Unido, a França, a China, a União
Soviética e da Rússia depois, da mesma forma. É absolutamente natural para
tão diversificada e representativa de uma organização.
Quando a ONU foi fundada, seus fundadores fez nem um pouco
pensar que sempre haveria unanimidade. A missão da organização é buscar e
alcançar compromissos, e sua força vem de tomar diferentes pontos de vista e
opiniões em consideração. As decisões debatidas no âmbito da ONU ou são
tomados como resoluções ou não. Como dizem os diplomatas, que quer passar
ou não passar.
Quaisquer que sejam as ações qualquer estado pode tomar
ignorando este procedimento são ilegítimos. Eles são contrários ao charter
e um desafio ao direito internacional. Todos nós sabemos que após o fim da
Guerra Fria - todos estão conscientes de que - um único centro de dominação
surgiu no mundo, e, em seguida, aqueles que se encontra no topo da pirâmide
foram tentados a pensar que se eles eram fortes e excepcional, eles sabiam
melhor e eles não têm que contar com a ONU, que, em vez de [agindo para]
autorizar e legitimar as decisões necessárias automaticamente, muitas vezes cria
obstáculos ou, em outras palavras, fica no caminho.
Ela tornou-se comum ver que, em sua forma original,
tornou-se obsoleto e completou a sua missão histórica. Claro, o mundo está
mudando e as Nações Unidas devem ser coerentes com esta transformação natural. Rússia
está disposta a trabalhar em conjunto com os seus parceiros, com base em
consenso total, mas consideramos as tentativas de minar a legitimidade das
Nações Unidas como extremamente perigoso. Eles poderiam levar a um colapso
de toda a arquitetura de organizações internacionais, e em seguida, na verdade,
não haveria outras regras esquerda, mas a regra da força.
Gostaríamos de obter um mundo dominado pelo egoísmo em vez
de um trabalho coletivo, um mundo cada vez mais caracterizado por ditar em vez
de igualdade. Haveria menos de uma cadeia de democracia e liberdade, e que
seria um mundo onde os verdadeiros estados independentes seriam substituídos
por um número cada vez maior de de facto protetorados e territórios controlados
externamente.
Qual é a soberania do Estado, afinal, o que foi mencionado
pelos nossos colegas aqui? É basicamente sobre a liberdade eo direito de
escolher livremente o seu próprio futuro para cada pessoa, nação e
estado. By the way, caros colegas, o mesmo vale para a questão da chamada
legitimidade da autoridade estatal. Não se deve brincar com ou manipular
palavras.
Cada termo no direito internacional e assuntos
internacionais deve ser clara, transparente e ter entendido uniformemente
critérios. Somos todos diferentes, e devemos respeitar isso. Ninguém
tem que obedecer a um único modelo de desenvolvimento que alguém tem uma vez
por todas reconhecido como o único caminho certo. Todos devemos lembrar
que nosso passado nos ensinou.
Também nos lembramos certos episódios da história da União
Soviética.Experiências sociais para exportação, as tentativas para pressionar
por mudanças dentro de outros países com base em preferências ideológicas,
muitas vezes levaram a consequências trágicas e à degradação ao invés de
progresso.
Parecia, no entanto, que, longe de aprender com os erros dos
outros, todo mundo fica repetindo-los, e assim a exportação de revoluções,
desta vez dos chamados aqueles democráticas, continua. Bastaria olhar para
a situação no Oriente Médio e Norte da África, como já foi mencionado por
oradores anteriores. Certamente os problemas políticos e sociais da região
foram se acumulando por um longo tempo, e as pessoas não desejam mudanças
naturalmente.
Mas como é que ele realmente vir? Ao invés de
realização de reformas, uma interferência externa agressiva resultou em uma
destruição de bronze das instituições nacionais e do próprio estilo de
vida. Em vez de o triunfo da democracia e do progresso, temos violência,
pobreza e desastres social.Ninguém se importa um pouco sobre os direitos
humanos, incluindo o direito à vida.
Eu não posso deixar de perguntar aqueles que têm causado a
situação, você percebe agora o que você fez? Mas eu estou com medo,
ninguém vai responder a isso. Na verdade, as políticas com base em
presunção e opinião em seu excepcionalidade e impunidade nunca foram
abandonados.
É agora óbvio que o vácuo de poder criado em alguns países
do Oriente Médio e Norte da África através do surgimento de áreas de anarquia,
que imediatamente começou a ser preenchido com extremistas e terroristas.
Dezenas de milhares de militantes estão lutando sob as
bandeiras do Estado islâmico chamado. Suas fileiras incluem ex-militares
iraquianos que foram lançados para a rua após a invasão do Iraque em 2003.
Muitos recrutas também vêm da Líbia, um país cuja soberania foi destruído como
resultado de uma grave violação da resolução do Conselho de Segurança da ONU de
1973. E Agora, as fileiras dos radicais estão sendo acompanhado por membros da
chamada oposição síria moderado apoiado pelos países ocidentais.
Primeiro, eles são armados e treinados e então eles desertar
para o Estado Islâmico chamado. Além disso, o Estado Islâmico em si não
apenas surgiu do nada. Ele também foi inicialmente forjada como uma
ferramenta contra regimes seculares indesejáveis.
Tendo estabelecido um ponto de apoio no Iraque e na Síria, o
Estado Islâmico começou ativamente expandindo para outras regiões. Ele
está à procura de uma posição dominante no mundo islâmico. E não só lá, e
seus planos de ir mais longe do que isso. A situação é mais do que
perigoso.
Nestas circunstâncias, é hipócrita e irresponsável para
fazer declarações fortes sobre a ameaça do terrorismo internacional, enquanto
fechando os olhos para os canais de financiamento e de apoio terroristas,
incluindo o processo de tráfico e comércio ilegal de petróleo e
braços. Seria igualmente irresponsável para tentar manipular grupos
extremistas e colocá-los a seu serviço, a fim de alcançar os próprios objetivos
políticos na esperança de mais tarde lidar com eles ou, em outras palavras,
liquidando-los.
Para aqueles que o fazem, eu gostaria de dizer - Prezados
senhores, sem dúvida, você está lidando com pessoas rudes e cruéis, mas eles
estão em nenhuma maneira primitiva ou bobo. Eles são tão inteligente como
você é, e você nunca sabe quem está manipulando quem. E os dados recentes
sobre as armas transferidas para esta oposição mais moderada é a melhor prova
disso.
Acreditamos que qualquer tentativa de jogar com os
terroristas, e muito menos para armá-los, não são apenas míope, mas disparar
perigosos (ph).Isso pode resultar em ameaça terrorista global aumentando
dramaticamente e engolindo novas regiões, especialmente dado que os campos de
estado islâmico treinar militantes de muitos países, incluindo os países
europeus.
Infelizmente, caros colegas, eu tenho que colocá-lo
francamente: a Rússia não é uma exceção. Não podemos permitir que esses
criminosos que já provei sangue para voltar para casa e continuar suas más
obras. Ninguém quer que isso aconteça, não é?
A Rússia sempre foi consistentemente lutar contra o
terrorismo em todas as suas formas. Hoje, nós fornecemos militar e
assistência técnica tanto para o Iraque ea Síria e muitos outros países da
região que estão lutando grupos terroristas.
Achamos que é um erro enorme de se recusar a cooperar com o
governo sírio e suas forças armadas, que estão lutando bravamente rosto para
enfrentar o terrorismo. Devemos finalmente reconhecer que ninguém, mas
forças armadas do presidente Assad e curdos (Ph) milícias estão realmente lutando
contra o Estado islâmico e outras organizações terroristas na Síria.
Nós sabemos sobre todos os problemas e contradições na
região, mas que foram (ph) com base na realidade.
Caros colegas, devo observar que uma tal abordagem honesta e
franca da Rússia foi recentemente utilizado como pretexto para acusá-lo de suas
crescentes ambições, como se aqueles que dizem que não tem ambições em tudo.
No entanto, não é sobre as ambições da Rússia, caros
colegas, mas sobre o reconhecimento do fato de que não podemos mais tolerar o
estado atual das coisas no mundo. O que nós propomos é, na verdade, a ser
orientada por valores e interesses comuns, em vez de ambições.
Com base no direito internacional, temos de juntar esforços
para resolver os problemas que todos nós estamos enfrentando e criar uma ampla
coalizão genuinamente internacional contra o terrorismo.
Semelhante à coalizão anti-Hitler, que poderia unir uma
ampla gama de forças que estão resolutamente resistir aqueles que, assim como
os nazistas, porca mal e do ódio da humanidade. E, naturalmente, os países
muçulmanos estão a desempenhar um papel-chave na coalizão, ainda mais porque o
Estado islâmico não tem apenas representam uma ameaça direta para eles, mas
também profana uma das maiores religiões do mundo por seus crimes sangrentos.
Os ideólogos (ph) de militantes fazer uma paródia do Islã e
perverter os seus valores verdadeiros humanistas (PH). Eu gostaria de
abordar líderes espirituais muçulmanos, também. A sua autoridade e sua
orientação são de grande importância no momento.
É essencial evitar que as pessoas recrutadas por militantes
de tomar decisões precipitadas e aqueles que já foram enganados, e que, devido
a várias circunstâncias encontraram-se entre os terroristas, precisam de ajuda
para encontrar um caminho de volta à vida normal, que estabelece os braços, e
colocando um fim ao fratricídio.
Rússia breve convocar, como o (ph) atual presidente do
Conselho de Segurança, uma reunião ministerial a realizar uma análise global
das ameaças no Oriente Médio.
Em primeiro lugar, propomos a discutir se é possível chegar
a acordo sobre uma resolução destinada a coordenar as ações de todas as forças
que confrontam o Estado Islâmico e outras organizações terroristas. Mais
uma vez, esta coordenação deve basear-se nos princípios da Carta das Nações
Unidas.
Esperamos que a comunidade internacional será capaz de
desenvolver uma estratégia global de estabilização política, assim como a
recuperação social e económica, do Oriente Médio.
Então, queridos amigos, não haveria necessidade de novos
campos de refugiados. Hoje, o fluxo de pessoas que foram forçadas a deixar
sua terra natal tem literalmente engolida primeiros países vizinhos e, em
seguida, a própria Europa. Havia centenas de milhares deles agora, e pode
haver milhões em pouco tempo. Na verdade, é uma nova grande e trágica
migração dos povos, e é uma dura lição para todos nós, incluindo a Europa.
Eu gostaria de salientar os refugiados, sem dúvida, precisam
de nossa compaixão e apoio. No entanto, o - no caminho para resolver este
problema em um nível fundamental é restaurar a sua condição de Estado onde foi
destruído, para fortalecer as instituições do governo onde eles ainda existem
ou estão a ser restabelecida, a prestar assistência abrangente de militar,
econômico e material natureza para países em uma situação difícil. E,
certamente, para aquelas pessoas que, apesar de todas as provações, não vai
abandonar as suas casas. Literalmente, qualquer assistência aos Estados
soberanos pode e deve ser oferecido em vez de impostos única e exclusivamente
em conformidade com a Carta das Nações Unidas.
Em outras palavras, tudo neste campo que tem sido feito ou
será feito de acordo com as normas do direito internacional deve ser apoiada
por nossa organização. Tudo o que viola a Carta das Nações Unidas deve ser
rejeitado.Acima de tudo, eu acredito que é da maior importância para ajudar a
restaurar as instituições do governo na Líbia, apoiar o novo governo do Iraque
e prestar assistência abrangente para o governo legítimo da Síria.
Caros colegas, assegurar a paz ea estabilidade regional e
global continua a ser o objectivo fundamental da comunidade internacional com a
ONU à sua frente. Acreditamos que isso significa criar um espaço de
segurança igual e indivisível, o que não é para o seleto poucos, mas para
todos. No entanto, é um desafio e tarefa complicada e demorada, mas
simplesmente não há outra alternativa. No entanto, o bloco pensamento dos
tempos da Guerra Fria eo desejo de explorar novas áreas geopolíticas ainda está
presente entre alguns dos nossos colegas.
Primeiro, eles continuam a sua política de expansão da
NATO. Para que? Se a Varsóvia Bloc parou de sua existência, a União
Soviética entraram em colapso (ph) e, no entanto, a NATO continua em expansão,
bem como a sua infra-estrutura militar. Em seguida, eles ofereceram os
países soviéticos pobres uma falsa escolha: ou para estar com o Ocidente ou com
o Oriente. Mais cedo ou mais tarde, essa lógica de confrontação foi
obrigado a desencadear uma grave crise geopolítica. Este é exatamente o
que aconteceu na Ucrânia, onde o descontentamento da população com as
autoridades atuais foi utilizado e do golpe militar foi orquestrada de fora -
que desencadeou uma guerra civil como um resultado.
Estamos confiantes de que somente através de aplicação
integral e leal dos acordos de Minsk de 12 de fevereiro de 2015, podemos pôr
fim ao derramamento de sangue e encontrar uma saída para o
impasse. Integridade territorial da Ucrânia não pode ser assegurada por
ameaça de força e força das armas. O que é necessário é uma verdadeira
consideração pelos interesses e direitos das pessoas na região de Donbas e
respeito pela sua escolha. Há uma necessidade de coordenar com eles, tal
como previsto pelos acordos de Minsk, os principais elementos da estrutura
política do país. Estas medidas irão garantir que a Ucrânia irá
desenvolver-se como uma sociedade civilizada, como um elo essencial e
construção de um espaço comum de segurança e da cooperação económica, tanto na
Europa e na Eurásia.
Senhoras e senhores, eu mencionei estes espaço comum de
cooperação económica de propósito. Não muito tempo atrás, parecia que na
esfera econômica, com a sua perda objectivo do mercado, que iria lançar uma
folha (ph) sem linhas divisórias. Gostaríamos de construir em regras
transparentes e formulados conjuntamente, incluindo os princípios da OMC, que
prevê a liberdade de comércio e investimento e concorrência aberta.
No entanto, hoje, sanções unilaterais que infrinjam a Carta
das Nações Unidas tornaram-se comuns, além de perseguir objetivos
políticos. As sanções servir como um meio de eliminar concorrentes.
Gostaria de salientar um outro sinal de um egoísmo económico
crescente.Alguns países [ter] escolhidas para criar associações económicas
fechados, com o estabelecimento a ser negociado nos bastidores, em segredo
desde próprios cidadãos desses países, o público em geral, comunidade
empresarial e de outros países.
Outros estados cujos interesses podem ser afectados não são
informados de qualquer coisa, qualquer um. Parece que estamos prestes a
ser confrontados com um facto consumado que as regras do jogo foram alteradas
em favor de um grupo restrito de privilegiados, com a OMC ter nada a
dizer. Isso poderia desequilibrar o sistema de comércio completamente e
desintegrar o espaço econômico global.
Essas questões afetam o interesse de todos os estados e
influenciar o futuro da economia mundial como um todo. É por isso que
propomos a discutir-los dentro da ONG OMC ONU (ph) '20.
Contrariamente à política de exclusividade, a Rússia propõe
uma harmonização projetos econômicos originais. Refiro-me à chamada
integração de integrações com base em regras universais e transparentes do
comércio internacional. Como exemplo, eu gostaria de citar os nossos
planos para interligar a união económica euro-asiática, ea iniciativa da
correia econômica Silk Road da China.
Continuamos a acreditar que a harmonização dos processos de
integração na União Económica da Eurásia e da União Europeia é altamente
promissor.
Senhoras e Senhores Deputados, as questões que afetam o
futuro de todas as pessoas incluem o desafio da mudança climática
global. É do nosso interesse para fazer da Conferência das Nações Unidas
para as Alterações Climáticas, a realizar em Dezembro, em Paris um sucesso.
Como parte da nossa contribuição nacional, pretendemos
reduzir até 2030 as emissões de gases com efeito a 70, 75 por cento do nível de
1990.
Sugiro, no entanto, devemos ter uma visão mais ampla sobre
este assunto.Sim, podemos neutralizar o problema por um tempo, pela fixação de
quotas sobre as emissões nocivas ou tomando outras medidas que não são nada,
mas tático. Mas não vamos resolvê-lo dessa forma. Precisamos de uma
abordagem completamente diferente.
Temos de nos concentrar na introdução de tecnologias
fundamentais e novas inspiradas na natureza, o que não prejudicaria o ambiente,
mas estaria em harmonia com ela. Além disso, que nos permitiria
restabelecer o equilíbrio perturbado pela biosfera e technosphere (ph)
perturbado por atividades humanas.
É realmente um desafio de âmbito planetário, mas estou
confiante de que a humanidade tem potencial intelectual para
enfrentá-lo. Temos de unir nossos esforços. Refiro-me, em primeiro
lugar, para os estados que têm uma base sólida pesquisa e fizeram avanços
significativos na ciência fundamental.
Propomos a convocação de um fórum especial sob os auspícios
da ONU para uma consideração abrangente das questões relacionadas com o
esgotamento dos recursos naturais, destruição de habitat ea mudança climática.
Rússia estaria disposta a co-patrocinar tal fórum.
Senhoras e Senhores Deputados, colegas, foi em 10 de Janeiro
de 1946, em Londres, que a Assembléia Geral das Nações Unidas reuniram-se para
sua primeira sessão.
Mr. Suleta (ph) (inaudível), um diplomata colombiano e ao
presidente da Comissão Preparatória, abriu a sessão dando, creio eu, uma
definição concisa dos princípios básicos que a ONU deve seguir em suas
atividades, que são livre-arbítrio , desafio de esquemas e artimanhas e
espírito de cooperação.
Hoje, suas palavras soam como uma orientação para todos
nós. Rússia acredita no enorme potencial das Nações Unidas, que deve
ajudar-nos a evitar um novo confronto global e estabelecer uma cooperação
estratégica.Juntamente com outros países, vamos trabalhar de forma consistente
no sentido de reforçar o papel de coordenação central da ONU Estou confiante de
que, trabalhando juntos, vamos tornar o mundo estável e segura, bem como
proporcionar condições para o desenvolvimento de todos os estados e nações.
Obrigado.
(Aplausos)
quinta-feira, 24 de setembro de 2015
DISCURSO NA ÍNTEGRA DO PAPA FRANCISCO NO CONGRESSO DOS EUA
DISCURSO NA ÍNTEGRA DO
PAPA NO CONGRESSO DOS EUA
24/09/15
Senhor Vice-Presidente,
Senhor Presidente da Câmara dos Representantes,
Distintos Membros do Congresso,
Queridos Amigos!
Sinto-me muito grato pelo convite para falar a esta
Assembleia Plenária do Congresso «na terra
dos livres e casa dos valorosos». Apraz-me pensar que o
motivo para isso tenha sido o facto de também eu ser um filho deste grande
continente, do qual muito recebemos todos nós e relativamente ao qual partilhamos
uma responsabilidade comum.
Cada filho ou filha duma determinada nação tem uma missão,
uma responsabilidade pessoal e social. A vossa responsabilidade própria de
membros do Congresso é fazer com que este país, através da vossa atividade
legislativa, cresça como nação. Vós sois o rosto deste povo, os seus
representantes. Sois chamados a salvaguardar e garantir a dignidade dos vossos
concidadãos na busca incansável e exigente dobem comum, que é o fim de toda a
política.
Uma sociedade política dura no tempo quando, como uma
vocação, se esforça por satisfazer as carências comuns, estimulando o
crescimento de todos os seus membros, especialmente aqueles que estão em
situação de maior vulnerabilidade ou risco. A atividade legislativa baseia-se
sempre no cuidado das pessoas. Para isso fostes convidados, chamados e
convocados por aqueles que vos elegeram.
O vosso trabalho lembra-me, sob dois aspectos, a figura de
Moisés. Por um lado, o patriarca e legislador do povo de Israel simboliza a
necessidade que têm os povos de manter vivo o seu sentido de unidade com os
instrumentos duma legislação justa. Por outro, a figura de Moisés leva-nos diretamente
a Deus e, por consequência, à dignidade transcendente do ser humano. Moisés
oferece-nos uma boa síntese do vosso trabalho: a vós, pede-se para proteger, com
os instrumentos da lei, a imagem e semelhança moldadas por Deus em cada rosto
humano.
Nesta perspectiva, hoje quereria dirigir-me não só a vós
mas, através de vós, a todo o povo dos Estados Unidos. Aqui, juntamente com os
seus representantes, quereria aproveitar esta oportunidade para dialogar com
tantos milhares de homens e mulheres que se esforçam diariamente por cumprir
uma honesta jornada de trabalho, por trazer para casa o pão de cada dia, por
poupar qualquer dólar e – passo a passo – construir uma vida melhor para as
suas famílias. São homens e mulheres que não se preocupam apenas com pagar os
impostos, mas – na forma discreta que os caracteriza – sustentam a vida da sociedade.
Geram solidariedade com as suas atividades e criam organizações que ajudam quem
tem mais necessidade.
Quereria também entrar em diálogo com as numerosas pessoas
idosas que são um depósito de sabedoria forjada pela experiência e que procuram
de muito modos, especialmente através do voluntariado, partilhar as suas
histórias e experiências. Sei que muitas delas estão aposentadas, mas ainda activas
e continuam a empenhar-se na construção deste país. Desejo também dialogar com
todos os jovens que lutam por realizar as suas grandes e nobres aspirações, que
não se deixam extraviar por propostas superficiais e que enfrentam situações
difíceis, tantas vezes resultantes da imaturidade de muitos adultos. Quereria
dialogar com todos vós, e desejo fazê-lo através da memória histórica do vosso povo.
A minha visita tem lugar num momento em que homens e
mulheres de boa vontade estão a celebrar o aniversário de alguns americanos
famosos.
Apesar da complexidade da história e da realidade da
fraqueza humana, estes homens e mulheres foram capazes, com todas as suas
diferenças e limitações, de construir um futuro melhor com trabalho duro e
sacrifício pessoal – alguns à custa da própria vida.
Deram forma a valores fundamentais, que permanecerão para
sempre no espírito do povo americano. Um povo com este espírito pode atravessar
muitas crises, tensões e conflitos, já que sempre conseguirá encontrar a força
para ir avante e fazê-lo com dignidade. Estes homens e mulheres dão-nos uma possibilidade
de ver e interpretar a realidade. Ao honrar a sua memória, somos estimulados,
mesmo no meio de conflitos, na vida concreta de cada dia, a haurir das nossas
mais profundas reservas culturais.
Quereria mencionar quatro destes americanos: Abraham
Lincoln, Martin Luther King, Dorothy
Day e Thomas Merton.
Este ano completam-se cento e cinquenta anos do assassinato
do Presidente Abraham Lincoln, o guardião da liberdade, que trabalhou
incansavelmente para que «esta nação, com a proteção de Deus, pudesse ter um
renascimento de liberdade». Construir um futuro de liberdade requer amor pelo
bem comum e colaboração num espírito de subsidiariedade e solidariedade.
Todos estamos plenamente cientes e também profundamente
preocupados com a situação social e política inquietante do mundo actual. O
nosso mundo torna-se cada vez mais um lugar de conflitos violentos, ódios e
atrocidade brutais, cometidos até mesmo em nome de Deus e da religião. Sabemos
que nenhuma religião está imune de formas de engano individual ou de extremismo
ideológico. Isto significa que devemos prestar especial atenção a qualquer
forma de fundamentalismo, tanto religioso como de qualquer outro género.
É necessário um delicado equilíbrio para se combater a
violência perpetrada em nome duma religião, duma ideologia ou dum sistema
económico, enquanto, ao mesmo tempo, se salvaguarda a liberdade religiosa, a
liberdade intelectual e as liberdades individuais. Mas há outra tentação de que
devemos acautelar-nos: o reducionismo simplista que só vê bem ou mal, ou, se
quiserdes, justos e pecadores.
O mundo contemporâneo, com as suas feridas abertas que tocam
muitos dos nossos irmãos e irmãs, exige que enfrentemos toda a forma de
polarização que o possa dividir entre estes dois campos. Sabemos que, na ânsia
de nos libertar do inimigo externo, podemos ser tentados a alimentar o inimigo
interno. Imitar o ódio e a violência dos tiranos e dos assassinos é o modo
melhor para ocupar o seu lugar. Isto é algo que vós, como povo, rejeitais.
Pelo contrário, a nossa resposta deve ser uma resposta de
esperança e cura, de paz e justiça. É-nos pedido para fazermos apelo à coragem
e à inteligência, a fim de se resolverem as muitas crises económicas e
geopolíticas de hoje. Até mesmo num mundo desenvolvido aparecem demasiado
evidentes os efeitos de estruturas e acções injustas. Os nossos esforços devem
concentrar-se em restaurar a paz, remediar os erros, manter os compromissos, e
assim promover o bem-estar dos indivíduos e dos povos.
Devemos avançar juntos, como um só, num renovado espírito de
fraternidade e solidariedade, colaborando generosamente para o bem comum.
Os desafios, que hoje enfrentamos, requerem uma renovação
deste espírito de colaboração, que produziu tantas coisas boas na história dos
Estados Unidos. A complexidade, a gravidade e a urgência destes desafios exigem
que ponhamos a render os nossos recursos e talentos e nos decidamos a
apoiar-nos mutuamente, respeitando as diferenças e convicções de consciência.
Nesta terra, as várias denominações religiosas deram uma
grande ajuda na construção e fortalecimento da sociedade. É importante que
hoje, como no passado, a voz da fé continue a ser ouvida, porque é uma voz de
fraternidade e de amor que procura fazer surgir o melhor em cada pessoa e em
cada sociedade. Esta cooperação é um poderoso recurso na luta por eliminar as
novas formas globais de escravidão, nascidas de graves injustiças que só podem
ser superadas com novas políticas e novas formas de consenso social.
Penso aqui na história política dos Estados Unidos, onde a
democracia está profundamente radicada no espírito do povo americano. Qualquer
atividade política deve servir e promover o bem da pessoa humana e estar
baseada no respeito pela dignidade de cada um. «Consideramos evidentes, por si mesmas,
estas verdades: que todos os homens são criados iguais, que são dotados pelo
Criador de certos direitos inalienáveis, que, entre estes, estão a vida, a
liberdade e a busca da felicidade» (Declaração de Independência, 4 de Julho de
1776). Se a política deve estar verdadeiramente ao serviço da pessoa humana,
segue-se que não pode estar submetida à economia e às finanças. É que a
política é expressão da nossa insuprível necessidade de vivermos juntos em
unidade, para podermos construir unidos o bem comum maior: uma comunidade que
sacrifique os interesses particulares para poder partilhar, na justiça e na
paz, os seus benefícios, os seus interesses, a sua vida social. Não subestimo
as dificuldades que isto implica, mas encorajo-vos neste esforço.
Penso também na marcha que Martin Luther King guiou de Selma
a Montgomery, há cinquenta anos, como parte da campanha para conseguir o seu
«sonho» de plenos direitos civis e políticos para os afro-americanos. Aquele
sonho continua a inspirar-nos. Alegro-me por a América continuar a ser, para muitos,
uma terra de «sonhos»: sonhos que levam à acção, à participação, ao
compromisso; sonhos que despertam o que há de mais profundo e verdadeiro na
vida das pessoas. Nos últimos séculos, milhões de pessoas chegaram a esta terra
perseguindo o sonho de construírem um futuro em liberdade. Nós, pessoas deste
continente, não temos medo dos estrangeiros, porque outrora muitos de nós
éramos estrangeiros.
Digo-vos isto como filho de imigrantes, sabendo que também
muitos de vós sois descendentes de imigrantes. Tragicamente, os direitos
daqueles que estavam aqui, muito antes de nós, nem sempre foram respeitados.
Por aqueles povos e as suas nações, desejo, a partir do coração da democracia
americana, reafirmar a minha mais alta estima e consideração. Aqueles primeiros
contatos foram muitas vezes tumultuosos e violentos, mas é difícil julgar o
passado com os critérios do presente. Todavia, quando o estrangeiro no nosso
meio nos interpela, não devemos repetir os pecados e os erros do passado.
Devemos decidir viver agora o mais nobre e justamente possível e, de igual
modo, formar as novas gerações para não virarem as costas ao seu «próximo» e a
tudo aquilo que nos rodeia.
Construir uma nação pede-nos para reconhecer que devemos
constantemente relacionar-nos com os outros, rejeitando uma mentalidade de
hostilidade para se adoptar uma subsidiariedade recíproca, num esforço
constante de contribuir com o melhor de nós. Tenho confiança que o
conseguiremos.
O nosso mundo está a enfrentar uma crise de refugiados de
tais proporções que não se via desde os tempos da II Guerra Mundial. Esta
realidade coloca-nos diante de grandes desafios e decisões difíceis.
Também neste continente, milhares de pessoas sentem-se
impelidas a viajar para o Norte à procura de melhores oportunidades. Porventura
não é o que queríamos para os nossos filhos? Não devemos deixar-nos assustar
pelo seu número, mas antes olhá-los como pessoas, fixando os seus rostos e
ouvindo as suas histórias, procurando responder o melhor que pudermos às suas
situações. Uma resposta que seja sempre humana, justa e fraterna. Devemos
evitar uma tentação hoje comum: descartar quem quer que se demonstre
problemático. Lembremo-nos da regra de ouro: «O que quiserdes que vos façam os
homens, fazei-o também a eles» (Mt 7, 12).
Esta norma aponta-nos uma direção clara. Tratemos os outros
com a mesma paixão e compaixão com que desejamos ser tratados. Procuremos para
os outros as mesmas possibilidades que buscamos para nós mesmos. Ajudemos os
outros a crescer, como quereríamos ser ajudados nós mesmos. Em suma, se queremos
segurança, demos segurança; se queremos vida, demos vida; se queremos
oportunidades, providenciemos oportunidades. A medida que usarmos para os
outros será a medida que o tempo usará para conosco. A regra de ouro põe-nos
diante também da nossa responsabilidade de proteger e defender a vida humana em
todas as fases do seu desenvolvimento.
Esta convicção levou-me, desde o início do meu ministério, a
sustentar a vários níveis a abolição global da pena de morte. Estou convencido
de que esta seja a melhor via, já que cada vida é sagrada, cada pessoa humana
está dotada duma dignidade inalienável, e a sociedade só pode beneficiar da
reabilitação daqueles que são condenados por crimes.
Recentemente, os meus irmãos bispos aqui nos Estados Unidos
renovaram o seu apelo pela abolição da pena de morte. Não só os apoio, mas
encorajo também todos aqueles que estão convencidos de que uma punição justa e
necessária nunca deve excluir a dimensão da esperança e o objetivo da reabilitação.
Nestes tempos em que as preocupações sociais são tão
importantes, não posso deixar de mencionar a Serva de Deus Dorothy Day, que
fundou o Catholic Worker Movement. O seu compromisso social, a sua paixão pela
justiça e pela causa dos oprimidos estavam inspirados pelo Evangelho, pela sua fé
e o exemplo dos Santos.
Quanto estrada percorrida neste campo em tantas partes do
mundo! Quanto se fez nestes primeiros anos do terceiro milénio para fazer sair
as pessoas da pobreza extrema! Sei que partilhais a minha convicção de que se
tem de fazer ainda muito mais e de que, em tempos de crise e dificuldade
económica, não se deve perder o espírito de solidariedade global. Ao mesmo
tempo, desejo encorajar-vos a não esquecer todas as pessoas à nossa volta
encastradas nas espirais da pobreza. Há necessidade de dar esperança também a
elas. A luta contra a pobreza e a fome deve ser travada com constância nas suas
múltiplas frentes, especialmente nas suas causas. Sei que hoje, como no
passado, muitos americanos estão a trabalhar para enfrentar este problema.
Naturalmente uma grande parte deste esforço situa-se na
criação e distribuição de riqueza. A utilização correta dos recursos naturais,
a aplicação apropriada da tecnologia e a capacidade de orientar devidamente o
espírito empresarial são elementos essenciais duma economia que procura ser
moderna, inclusiva e sustentável. «A atividade empresarial, que é uma nobre
vocação orientada para produzir riqueza e melhorar o mundo para todos, pode ser
uma maneira muito fecunda de promover a região onde instala os seus
empreendimentos, sobretudo se pensa que a criação de postos de trabalho é parte
imprescindível do seu serviço ao bem comum» (Enc. Laudato si’, 129). Este bem
comum inclui também a terra, tema central da Encíclica que escrevi,
recentemente, para «entrar em diálogo com todos acerca da nossa casa comum»
(ibid., 3). «Precisamos de um debate que nos una a todos, porque o desafio ambiental,
que vivemos, e as suas raízes humanas dizem respeito e têm impacto sobre todos
nós» (ibid.,14).
Na encíclica Laudato si’, exorto a um esforço corajoso e
responsável para «mudar de rumo» (ibid., 61) e evitar os efeitos mais sérios da
degradação ambiental causada pela atividade humana. Estou convencido de que
podemos fazer a diferença e não tenho dúvida alguma de que os Estados Unidos –
e este Congresso – têm um papel importante a desempenhar. Agora é o momento de
empreender ações corajosas e estratégias tendentes a implementar uma «cultura
do cuidado» (ibid., 231) e «uma abordagem integral para combater a pobreza,
devolver a dignidade aos excluídos e, simultaneamente, cuidar da natureza»
(ibid., 139). Temos a liberdade necessária para limitar e orientar a tecnologia
(cf. ibid., 112), para individuar modos inteligentes de «orientar, cultivar e
limitar o nosso poder» (ibid., 78) e colocar a tecnologia «ao serviço doutro
tipo de progresso, mais saudável, mais humano, mais social, mais integral» (ibid.,
112). A este respeito, confio que as instituições americanas de investigação e
académicas poderão dar um contributo vital nos próximos anos.
Um século atrás, no início da I Grande Guerra que o Papa
Bento XV definiu «massacre inútil», nascia outro americano extraordinário: o
monge cisterciense Thomas Merton. Ele continua a ser uma fonte de inspiração
espiritual e um guia para muitas pessoas. Na sua autobiografia, deixou escrito:
«Vim ao mundo livre por natureza, imagem de Deus; mas eu era prisioneiro da
minha própria violência e do meu egoísmo, à imagem do mundo onde nascera.
Aquele mundo era o retrato do Inferno, cheio de homens como eu, que amam a Deus
e contudo odeiam-No; nascidos para O amar, mas vivem no medo de desejos
desesperados e contraditórios». Merton era, acima de tudo, homem de oração, um
pensador que desafiou as certezas do seu tempo e abriu novos horizontes para as
almas e para a Igreja. Foi também homem de diálogo, um promotor de paz entre
povos e religiões.
Nesta perspectiva de diálogo, gostaria de saudar os esforços
que se fizeram nos últimos meses para procurar superar as diferenças históricas
ligadas a episódios dolorosos do passado. É meu dever construir pontes e
ajudar, por todos os modos possíveis, cada homem e cada mulher a fazerem o
mesmo.
Quando nações que estiveram em desavença retomam o caminho
do diálogo – um diálogo que poderá ter sido interrompido pelas mais válidas
razões –, abrem-se novas oportunidades para todos. Isto exigiu, e exige, coragem
e audácia, o que não significa irresponsabilidade. Um bom líder político é
aquele que, tendo em conta os interesses de todos, lê o momento presente com
espírito de abertura e sentido prático.
Um bom líder político não cessa de optar mais por «iniciar
processos do que possuir espaços» (Exort. ap. Evangelii gaudium, 222-223).
Estar ao serviço do diálogo e da paz significa também estar
verdadeiramente determinado a reduzir e, a longo prazo, pôr termo a tantos
conflitos armados em todo o mundo. Aqui devemos interrogar-nos: Por que motivo
se vendem armas letais àqueles que têm em mente infligir sofrimentos inexprimíveis
a indivíduos e sociedade? Infelizmente a resposta, como todos sabemos, é apenas
esta: por dinheiro; dinheiro que está impregnado de sangue, e muitas vezes
sangue inocente. Perante este silêncio vergonhoso e culpável, é nosso dever
enfrentar o problema e deter o comércio de armas.
Três filhos e uma filha desta terra, quatro indivíduos e
quatro sonhos: Lincoln, a liberdade; Martin Luther King, a liberdade na
pluralidade e não-exclusão; Dorothy Day, a justiça social e os direitos das
pessoas; e Thomas Merton, capacidade de diálogo e abertura a Deus. Quatro
representantes do povo americano.
Concluirei a minha visita ao vosso país em Filadélfia, onde
participarei no Encontro Mundial das Famílias. É meu desejo que, durante toda a
minha visita, a família seja um tema recorrente. Como foi essencial a família
na construção deste país! E como merece ainda o nosso apoio e encorajamento! E todavia
não posso esconder a minha preocupação pela família, que está ameaçada, talvez
como nunca antes, de dentro e de fora. As relações fundamentais foram postas em
discussão, bem como o próprio fundamento do matrimónio e da família. Posso
apenas repropor a importância e sobretudo a riqueza e a beleza da vida
familiar.
Em particular quereria chamar a atenção para os membros da
família que são os mais vulneráveis: os jovens. Para muitos deles anuncia-se um
futuro cheio de tantas possibilidades, mas muitos outros parecem desorientados
e sem uma meta, encastrados num labirinto sem esperança, marcado por violências,
abusos e desespero. Os seus problemas são os nossos problemas. Não podemos
evitá-los. É necessário enfrentá-los juntos, falar deles e procurar soluções
eficazes em vez de ficar empantanados nas discussões. Correndo o risco de
simplificar, poderemos dizer que vivemos numa cultura que impele os jovens a
não formarem uma família, porque lhes faltam possibilidades para o futuro. Mas
esta mesma cultura apresenta a outros tantas opções que também eles são
dissuadidos de formar uma família.
Uma nação pode ser considerada grande, quando defende a
liberdade, como fez Lincoln; quando promove uma cultura que permita às pessoas
«sonhar» com plenos direitos para todos os seus irmãos e irmãs, como procurou
fazer Martin Luther King; quando luta pela justiça e pela causa dos oprimidos,
como fez Dorothy Day com o seu trabalho incansável, fruto duma fé que se torna
diálogo e semeia paz no estilo contemplativo de Thomas Merton.
Nestas notas, procurei apresentar algumas das riquezas do
vosso património cultural, do espírito do povo americano. Faço votos de que
este espírito continue a desenvolver-se e a crescer de tal modo que o maior
número possível de jovens possa herdar e habitar numa terra que inspirou tantas
pessoas a sonhar.
Deus abençoe a América.
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