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domingo, 26 de dezembro de 2010

Em 24 horas, mais de 60 morrem por ataques dos EUA no Paquistão - Mundo - iG



Foto do Wikipédia de um "DRONE" - Aeronave não tripulada.

Em 24 horas, mais de 60 morrem por ataques dos EUA no Paquistão - Mundo - iG
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Eis um tipo de notícia que sinto dificuldade em assimilar.
Primeiro, pelo uso dessas aeronaves não tripuladas, “Drones”, que considero um péssimo sinal para o futuro bélico entre nações ricas x nações pobres. É a mais cruel e sofisticada forma de uma covarde agressão bélica contra um país com fracas forças armadas.

Segundo, porque os ataques cometidos por aeronaves norte-americanas, tripuladas ou não, não se preocupam, e nem poderiam, distinguir pessoas que estão em seus alvos numa tela de um computador de bordo, ou a quilômetros do local bombardeado sob monitoramento por conexão via satélite. Abate-se suspeitos.

Interessante o cabeçalho da notícia: “Ataque triplo lançado por aviões não tripulados mata 54 (supostos) militantes nesta sexta-feira, enquanto sete morreram na quinta-feira”. A notícia é de 17/12/2010.

Hoje, 25/12/10, um ataque suicida matou mais de 40 num centro assistencial em “Bajaur”, uma região nos limites do Paquistão com o Afeganistão.

Considero um ataque terrorista cometido por “homem-bomba” em meio a pessoas indefesas, ignorantes em face do horror eminente, tão cruel para as vítimas, quanto um ataque aéreo de uma poderosa aeronave de guerra contra uma comunidade sob a suspeita de todos serem terroristas.

Se um “homem bomba”, movido pelo ódio ou seja lá por qual motivo, já perdeu o sentido da Vida, a ponto de nem ligar mais para a própria, contudo ele sabe que o horror que vai perpetrar, custará sua existência.

Porém, o que falar de um ataque a uma comunidade desprotegida, de uma aeronave armada com terríveis mísseis, não tripulada, controlada a distância por computador?

Me lembrei de uma passagem do esclarecedor livro “Uma História da Guerra”- 1993 - de “John Keegan”:
“...O treinamento europeu, quando demonstrado pela primeira vez por “Takashima”, o reformador militar japonês , a alguns samurais de alta patente em 1841, provocou escárnio; o mestre da artilharia disse que o espetáculo de “homens levantando e manipulando suas armas ao mesmo tempo e com o mesmo movimento parecia que estavam participando de alguma brincadeira de criança”.
Era a reação de guerreiros que lutavam corpo a corpo, para quem lutar era um ato de auto-expressão pelo qual o homem exibia não apenas sua coragem, mas também sua individualidade”.

Era o início do império da arma de fogo lá pelos idos de 1490, quando um comandante da época dizia: “Que honra há agora quando um reles e magricela soldado armado com uma arma de pólvora, consegue abater três dos meus mais valorosos homens a dezenas de metros de distancia”?

Logo, faz tempo que a antiga honra de ser um guerreiro, foi substituída pela tecnologia bélica. Hoje, mesmo este blogueiro que nem o Exército serviu devido ao excesso de contingente, sabe que em uma guerra atual, o combate corpo a corpo praticamente não existe mais, dando lugar à perícia no manejo de armas portáteis poderosas e outros artefatos de destruição.

De 1490 até o fim da primeira década do século XXI, muita “água vermelha” passou sob a ponte que leva da paz a guerra. Séculos de avanços tecnológicos; que tantas comodidades nos proporcionam atualmente; vieram sofisticando a antiga barbárie e a ganância humana. O antigo “porta-estandarte” que marchava à frente dos exércitos ao som cadenciado dos tambores, foi substituído por símbolos de Forças Armadas impressos em demoníacos mísseis que podem destruir um quarteirão em segundos; aeronave de guerra teleguiada a distancia; bombas atômicas que destroem uma cidade em segundos; tudo a serviço da segurança de governos e seus povos, dizem.

E atualmente, estamos sendo acostumados a assimilar o abate de pessoas com a justificativa de (supostos) inimigos, (supostos terroristas), (supostos) criminosos, (supostos) traficantes, por aí afora. O (suposto) virou réu, foi condenado e abatido sumariamente.
Dois mil anos de jurisprudência, de filosofia da ética, de princípios morais, são jogados com bombas sobre uma festa de casamento de uma comunidade montanhesa afegã, sob a alegação que eram (supostos) militantes talibans.

E se um bombardeio de mísseis reduz a escombros uma aldeia, uma escola ou um hospital, talvez nem tenhamos a quem responsabilizar pelo crime mesmo se a aeronave for abatida. Caso ela não tenha um símbolo que identifique a origem, só encontrarão um monte de ferros, câmeras e placas de computador.

De resto, deixo a pergunta: Qual a diferença para as vítimas em potencial, entre um doente-mental fanático com dinamites amarradas na cintura dentro de uma igreja cheia de fieis rezando e, um Cara que monitora pelo computador um Drone armado de mísseis, capazes de destruir todo um lugarejo matando todos os seus habitantes??

Resposta: O Cara do computador estará no próximo fim de semana gozando de um churrasco com sua família.

Ainda bem que não estarei vivo no futuro.

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